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Posted: 8.11.12 by mais coisa, menos coisa in Etiquetas: ,
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hoje à noite...






não me apetece escrever titulo

Posted: 12.9.12 by mais coisa, menos coisa in Etiquetas: , ,
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Vestiu-se para um baile que não há.
Sentou-se com suas últimas jóias.
E olha para o lado, imóvel.

Está vendo os salões que se acabaram,
embala-se em valsas que não dançou,
levemente sorri para um homem.
O homem que não existiu.

Se alguém lhe disser que sonha,
levantará com desdém o arco das sobrancelhas,
Pois jamais se viveu com tanta plenitude.

Mas para falar de sua vida
tem de abaixar as quase infantis pestanas,
e esperar que se apaguem duas infinitas lágrimas.

Cecília Meireles, in 'Poemas

convida

Posted: 22.11.11 by mais coisa, menos coisa in Etiquetas:
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com o selo de garantia:

book autopsies

Posted: 17.10.11 by mais coisa, menos coisa in Etiquetas: ,
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brian dettmer
















face book

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nicholas galanin



30 (II)

Posted: 29.3.11 by mais coisa, menos coisa in Etiquetas: , ,
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próxima leitura.
e porque aos trinta começa uma nova era... o reescrever das coisas sobre o teu controlo.


:) Obrigada M.

Portugal

Posted: 25.3.11 by mais coisa, menos coisa in Etiquetas: , , ,
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Ó Portugal, se fosses só três sílabas,
linda vista para o mar,
Minho verde, Algarve de cal,
jerico rapando o espinhaço da terra,
surdo e miudinho,
moinho a braços com um vento
testarudo, mas embolado e, afinal, amigo,
se fosses só o sal, o sol, o sul,
o ladino pardal,
o manso boi coloquial,
a rechinante sardinha,
a desancada varina,
o plumitivo ladrilhado de lindos adjectivos,
a muda queixa amendoada
duns olhos pestanítidos,
se fosses só a cegarrega do estio, dos estilos,
o ferrugento cão asmático das praias,
o grilo engaiolado, a grila no lábio,
o calendário na parede, o emblema na lapela,
ó Portugal, se fosses só três sílabas
de plástico, que era mais barato!

Doceiras de Amarante, barristas de Barcelos,
rendeiras de Viana, toureiros da Golegã,
não há "papo-de-anjo" que seja o meu derriço,
galo que cante a cores na minha prateleira,
alvura arrendada para ó meu devaneio,

bandarilha que possa enfeitar-me o cachaço.
Portugal: questão que eu tenho comigo mesmo,
golpe até ao osso, fome sem entretém,
perdigueiro marrado e sem narizes, sem perdizes,
rocim engraxado,
feira cabisbaixa,
meu remorso,
meu remorso de todos nós...

Portugal de Alexandre O'Neil





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Posted: 9.3.11 by mais coisa, menos coisa in Etiquetas: ,
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próxima leitura


a paranóia do outono II

Posted: 20.10.10 by mais coisa, menos coisa in Etiquetas: , , ,
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Bicarbonato de Soda

Súbita, uma angústia...
Ah, que angústia, que náusea do estômago à alma!
Que amigos que tenho tido!
Que vazias de tudo as cidades que tenho percorrido!
Que esterco metafísico os meus propósitos todos!

Uma angústia,
Uma desconsolação da epiderme da alma,
Um deixar cair os braços ao sol-pôr do esforço...
Renego.
Renego tudo.
Renego mais do que tudo.
Renego a gládio e fim todos os Deuses e a negação deles.
Mas o que é que me falta, que o sinto faltar-me no estômago e na
circulação do sangue?
Que atordoamento vazio me esfalfa no cérebro?

Devo tomar qualquer coisa ou suicidar-me?
Não: vou existir. Arre! Vou existir.
E-xis-tir...
E--xis--tir...

Meu Deus! Que budismo me esfria o sangue!
Renunciar de portas todas abertas,
Perante a paisagem todas as paisagens,

Sem esperança, em liberdade,
Sem nexo,
Acidente da inconsequência da superfície das coisas,
Monótono mas dorminhoco,
E que brisas quando as portas e as janelas estão todas abertas!
Que verão agradável dos outros!

Dêem-me de beber, que não tenho sede!


Álvaro de Campos in "Poemas"

Paisagem... vamos lá ver...

Posted: 28.5.10 by mais coisa, menos coisa in Etiquetas: ,
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próxima leitura:

a triste realidade (II)

Posted: 27.5.10 by mais coisa, menos coisa in Etiquetas: ,
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"Como estou só no mundo! Como tudo

É lágrima e silêncio!"
Teixeira de Pascoaes, Nas Trevsas in 'Elegias'

a triste realidade (I)

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"O que é a luz?

Sol que morreu. "
Guerra Junqueiro, Evolução in 'Poesias Dispersas'

porque será que me identifico tanto!? sem nenhuma presunção, claro!

Posted: 17.3.09 by mais coisa, menos coisa in Etiquetas: ,
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(...) As raparigas do Norte têm belezas perigosas, olhos verdes-impossíveis, daqueles em que os versos, desde o dia em que nascem, se põem a escrever-se sozinhos.

Têm o ar de quem pertence a si própria. Andam de mãos nas ancas. Olham de frente. Pensam em tudo e dizem tudo o que pensam. Confiam, mas não dão confiança. (...)

São mulheres que possuem; são mulheres que pertencem. (...)
O Norte, Miguel Esteves Cardoso

herberto helder

Posted: 14.3.09 by mais coisa, menos coisa in Etiquetas: ,
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Falemos de casas, do sagaz exercicio de um poder

tão firme e silencioso como só houve

no tempo mais antigo.

Estes são os arquitectos, aqueles que vão morrer,

sorrindo com ironia e doçura no fundo

de um alto segredo que os restitui à lama.

De doces mãos irreprimíveis.

- Sobre os meses, sonhando nas últimas chuvas,

as casas encontram seu inocente jeito de durar contra

a boca subtil rodeada em cima pela treva das palavras.

gogo no-eiko

Posted: 13.1.09 by mais coisa, menos coisa in Etiquetas: ,
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"O desconforto de estar no quarto sem estar fechado à chave causava-lhe arrepios, mesmo depois de já ter abotoado o pijama até ao pescoço. (...) Não haverá maneira de eu estar dentro do quarto e ao mesmo tempo estar lá fora e fechar a porta do meu quarto à chave?"

Mishima, Yukio, O marinheiro que perdeu as graças do mar