não me apetece escrever titulo
Posted: 12.9.12 by mais coisa, menos coisa in Etiquetas: angustias, livros, the world is a vampireVestiu-se para um baile que não há.
Sentou-se com suas últimas jóias.
E olha para o lado, imóvel.
Está vendo os salões que se acabaram,
embala-se em valsas que não dançou,
levemente sorri para um homem.
O homem que não existiu.
Se alguém lhe disser que sonha,
levantará com desdém o arco das sobrancelhas,
Pois jamais se viveu com tanta plenitude.
Mas para falar de sua vida
tem de abaixar as quase infantis pestanas,
e esperar que se apaguem duas infinitas lágrimas.
Cecília Meireles, in 'Poemas
30 (II)
Posted: 29.3.11 by mais coisa, menos coisa in Etiquetas: de mim para comigo, livros, workaholicPortugal
Posted: 25.3.11 by mais coisa, menos coisa in Etiquetas: experiências, livros, o mundo ao contrário, tradiçõesÓ Portugal, se fosses só três sílabas,
linda vista para o mar,
Minho verde, Algarve de cal,
jerico rapando o espinhaço da terra,
surdo e miudinho,
moinho a braços com um vento
testarudo, mas embolado e, afinal, amigo,
se fosses só o sal, o sol, o sul,
o ladino pardal,
o manso boi coloquial,
a rechinante sardinha,
a desancada varina,
o plumitivo ladrilhado de lindos adjectivos,
a muda queixa amendoada
duns olhos pestanítidos,
se fosses só a cegarrega do estio, dos estilos,
o ferrugento cão asmático das praias,
o grilo engaiolado, a grila no lábio,
o calendário na parede, o emblema na lapela,
ó Portugal, se fosses só três sílabas
de plástico, que era mais barato!
Doceiras de Amarante, barristas de Barcelos,
rendeiras de Viana, toureiros da Golegã,
não há "papo-de-anjo" que seja o meu derriço,
galo que cante a cores na minha prateleira,
alvura arrendada para ó meu devaneio,
bandarilha que possa enfeitar-me o cachaço.
Portugal: questão que eu tenho comigo mesmo,
golpe até ao osso, fome sem entretém,
perdigueiro marrado e sem narizes, sem perdizes,
rocim engraxado,
feira cabisbaixa,
meu remorso,
meu remorso de todos nós...
Portugal de Alexandre O'Neil
a paranóia do outono II
Posted: 20.10.10 by mais coisa, menos coisa in Etiquetas: angustias, livros, o mundo ao contrário, tradiçõesBicarbonato de Soda
Súbita, uma angústia...
Ah, que angústia, que náusea do estômago à alma!
Que amigos que tenho tido!
Que vazias de tudo as cidades que tenho percorrido!
Que esterco metafísico os meus propósitos todos!
Uma angústia,
Uma desconsolação da epiderme da alma,
Um deixar cair os braços ao sol-pôr do esforço...
Renego.
Renego tudo.
Renego mais do que tudo.
Renego a gládio e fim todos os Deuses e a negação deles.
Mas o que é que me falta, que o sinto faltar-me no estômago e na
circulação do sangue?
Que atordoamento vazio me esfalfa no cérebro?
Devo tomar qualquer coisa ou suicidar-me?
Não: vou existir. Arre! Vou existir.
E-xis-tir...
E--xis--tir...
Meu Deus! Que budismo me esfria o sangue!
Renunciar de portas todas abertas,
Perante a paisagem todas as paisagens,
Sem esperança, em liberdade,
Sem nexo,
Acidente da inconsequência da superfície das coisas,
Monótono mas dorminhoco,
E que brisas quando as portas e as janelas estão todas abertas!
Que verão agradável dos outros!
Dêem-me de beber, que não tenho sede!
Álvaro de Campos in "Poemas"
Paisagem... vamos lá ver...
Posted: 28.5.10 by mais coisa, menos coisa in Etiquetas: livros, workaholica triste realidade (II)
Posted: 27.5.10 by mais coisa, menos coisa in Etiquetas: de mim para comigo, livros"Como estou só no mundo! Como tudo É lágrima e silêncio!" Teixeira de Pascoaes, Nas Trevsas in 'Elegias'
a triste realidade (I)
Posted: by mais coisa, menos coisa in Etiquetas: extraordinario vazio, livros"O que é a luz? Sol que morreu. " Guerra Junqueiro, Evolução in 'Poesias Dispersas'
porque será que me identifico tanto!? sem nenhuma presunção, claro!
Posted: 17.3.09 by mais coisa, menos coisa in Etiquetas: livros, tradições"O desconforto de estar no quarto sem estar fechado à chave causava-lhe arrepios, mesmo depois de já ter abotoado o pijama até ao pescoço. (...) Não haverá maneira de eu estar dentro do quarto e ao mesmo tempo estar lá fora e fechar a porta do meu quarto à chave?"
























