o amor não É na suficiência...
não me apetece escrever titulo
Posted: 12.9.12 by mais coisa, menos coisa in Etiquetas: angustias, livros, the world is a vampireVestiu-se para um baile que não há.
Sentou-se com suas últimas jóias.
E olha para o lado, imóvel.
Está vendo os salões que se acabaram,
embala-se em valsas que não dançou,
levemente sorri para um homem.
O homem que não existiu.
Se alguém lhe disser que sonha,
levantará com desdém o arco das sobrancelhas,
Pois jamais se viveu com tanta plenitude.
Mas para falar de sua vida
tem de abaixar as quase infantis pestanas,
e esperar que se apaguem duas infinitas lágrimas.
Cecília Meireles, in 'Poemas
sinto-me um apêndice à espera da cirurgia...
estou de luto...
Posted: 10.2.12 by mais coisa, menos coisa in Etiquetas: angustias, the world is a vampirediário de rosarinho
Posted: 8.7.11 by mais coisa, menos coisa in Etiquetas: angustias, arte, black for the boys, diário de rosarinhosmile...
Posted: 21.4.11 by mais coisa, menos coisa in Etiquetas: aih a minha vida, angustias, de mim para comigo, devaneios, nervios, o mundo ao contrário, the world is a vampirePDI
Posted: 29.3.11 by mais coisa, menos coisa in Etiquetas: angustias, apetites diários para consumo imediato, musica, o mundo ao contrário, the world is a vampiretédio
Posted: 18.2.11 by mais coisa, menos coisa in Etiquetas: angustias, de mim para comigo, extraordinario vaziogoodbye my love... goodbye...
Posted: 20.12.10 by mais coisa, menos coisa in Etiquetas: angustias, extraordinario vaziotermómetro de mau estar
Posted: 4.12.10 by mais coisa, menos coisa in Etiquetas: angustias, devaneios, neo-absurdoainda a centrar-me para verificar o meu "malómetro"... só espero que hoje o mercúrio não se exceda...
girls on pills
Posted: 15.11.10 by mais coisa, menos coisa in Etiquetas: angustias, the world is a vampirea paranóia do outono II
Posted: 20.10.10 by mais coisa, menos coisa in Etiquetas: angustias, livros, o mundo ao contrário, tradiçõesBicarbonato de Soda
Súbita, uma angústia...
Ah, que angústia, que náusea do estômago à alma!
Que amigos que tenho tido!
Que vazias de tudo as cidades que tenho percorrido!
Que esterco metafísico os meus propósitos todos!
Uma angústia,
Uma desconsolação da epiderme da alma,
Um deixar cair os braços ao sol-pôr do esforço...
Renego.
Renego tudo.
Renego mais do que tudo.
Renego a gládio e fim todos os Deuses e a negação deles.
Mas o que é que me falta, que o sinto faltar-me no estômago e na
circulação do sangue?
Que atordoamento vazio me esfalfa no cérebro?
Devo tomar qualquer coisa ou suicidar-me?
Não: vou existir. Arre! Vou existir.
E-xis-tir...
E--xis--tir...
Meu Deus! Que budismo me esfria o sangue!
Renunciar de portas todas abertas,
Perante a paisagem todas as paisagens,
Sem esperança, em liberdade,
Sem nexo,
Acidente da inconsequência da superfície das coisas,
Monótono mas dorminhoco,
E que brisas quando as portas e as janelas estão todas abertas!
Que verão agradável dos outros!
Dêem-me de beber, que não tenho sede!
Álvaro de Campos in "Poemas"
a paranóia do outono
Posted: by mais coisa, menos coisa in Etiquetas: angustias, nervios, o mundo ao contrário, tradiçõesDepois de amanhã, sim, só depois de amanhã...
Levarei amanhã a pensar em depois de amanhã,
E assim será possível; mas hoje não...
Não, hoje nada; hoje não posso.
A persistência confusa da minha subjectividade objectiva,
O sono da minha vida real, intercalado,
O cansaço antecipado e infinito,
Um cansaço de mundos para apanhar um eléctrico...
Esta espécie de alma...
Só depois de amanhã...
Hoje quero preparar-me,
Quero preparar-rne para pensar amanhã no dia seguinte...
Ele é que é decisivo.
Tenho já o plano traçado; mas não, hoje não traço planos...
Amanhã é o dia dos planos.
Amanhã sentar-me-ei à secretária para conquistar o mundo;
Mas só conquistarei o mundo depois de amanhã...
Tenho vontade de chorar,
Tenho vontade de chorar muito de repente, de dentro...
Não, não queiram saber mais nada, é segredo, não digo.
Só depois de amanhã...
Quando era criança o circo de domingo divertia-me toda a semana.
Hoje só me diverte o circo de domingo de toda a semana da minha infância...
Depois de amanhã serei outro,
A minha vida triunfar-se-á,
Todas as minhas qualidades reais de inteligente, lido e prático
Serão convocadas por um edital...
Mas por um edital de amanhã...
Hoje quero dormir, redigirei amanhã...
Por hoje, qual é o espetáculo que me repetiria a infância?
Mesmo para eu comprar os bilhetes amanhã,
Que depois de amanhã é que está bem o espectáculo...
Antes, não...
Depois de amanhã terei a pose pública que amanhã estudarei.
Depois de amanhã serei finalmente o que hoje não posso nunca ser.
Só depois de amanhã...
Tenho sono como o frio de um cão vadio.
Tenho muito sono.
Amanhã te direi as palavras, ou depois de amanhã...
Sim, talvez só depois de amanhã...
O porvir...
Sim, o porvir...
Álvaro de Campos, in "Poemas"
soninho...
Posted: 13.10.10 by mais coisa, menos coisa in Etiquetas: angustias, de mim para comigo, vontadehoje, dói... e dói que se farta.

















